Tirei a foto de uma árvore que se encontra ao lado do bloco da psicologia. De um lado está a árvore, que cresceu por um processo da natureza e do outro está o bloco de Psicologia construído pelas mãos humanas. O bloco de Psicologia lança a sua sombra sobre a árvore enquanto a árvore fornece certa estética ao bloco. Essa relação recíproco bloco-árvore me fez pensar na profunda questão antropológica que discute a relação entre natureza e cultura que também se expressa na própria alteração que o homem faz na natureza exterior enquanto constitui sua própria natureza, relação na qual há um perpassar da cultura sobre a natureza e da natureza na cultura.
A árvore é o sinal daquilo que permanece em meio das mudanças do homem sobre o mundo, mas sua própria permanência paradoxalmente é constituída e mudada pela ação humana. Não há uma árvore enquanto um ente substancialmente existente em si mesmo, mas da árvore constituída e perpassada pelo significado. O ser da árvore é semântico, e por isso a árvore discursa. Ela aparece ao lado do bloco, manifestando uma de suas facetas. No caso, a árvore não se mostra em sua totalidade fenomênica se é olhado sobre o olhar intricado com a construção do bloco. Se olhada em seu papel estético, não é a árvore que dá fruto e purifica o ar que se vê, mas sim a árvore que embeleza a paisagem. Desse modo, várias possibilidades manifestação são ocultadas para que uma faceta da árvore se desvele em sua constitutividade estética com o bloco.
O bloco, por sua vez, transparece a própria obra humana. Uma superestrutura cujas paredes falam, discursam sobre algo. Superestrutura que é cultura, produzida pela ação do trabalho humano. São paredes que dizem de uma instituição que está delimitada, separada por paredes e tem limites estabelecidos. Tais limites falam da construção de um espaço de saber que se delimita espacialmente, mesmo numa manifestação concreta, de outros espaços, sejam de saber (como outros blocos da Universidade), seja da própria sociedade em geral que circunda e é separada do bloco.
Essas são a árvore e o bloco. Não simplesmente dois entes ou blocos concretamente percebidos. Não vistos sob a ótica do substancialismo, mas sim sob a ótica da ontologia semântica, podem ser concebidas como estruturas de significado, construções que em suas situações espaciais e relações com a consciência cognoscente que os contempla de determinada perspectiva, são discursos que significam a realidade.
Bruno dos Santos Queiroz

Bruno, gostei muito da foto, principalmente quando a observei de baixo para cima e cheguei ao céu, muito azul, me fez ter uma sensação de respiro em meio ao concreto das construções. Gostei muito também da sua escrita, que me fez pensar no quanto nosso olhar, que é feito pela nossa história, pega a realidade que está dada ali e a transforma, passando a fazer parte de nós.
ResponderExcluir- Babi