Salinha do bloco 2C
Palavras em
tinta preta tatuam incontáveis folhas. Cópia de uma cópia de uma cópia.
Olheiras.
Diante de
um vulcão de demandas acadêmicas nós somos potenciais vítimas em pânico. Essas
questões que nos convocam, quase universais, recebem respostas distintas, a
partir daquilo que conseguimos ser, daquilo que conseguimos ou não dizer. Um
mesmo fardo pode ser demasiado leve ou demasiado pesado a depender das mãos que
o carregam.
A
necessidade de ser, de fazer, de conseguir. Estar atento, politizado,
socializado. Esses elementos que emergem no dia-a-dia estão, para mim,
registrados em cada espaço de cada página, numa tinta invisível aos olhos nus,
mas visível à uma mente cheia.
Esse é o
nosso canto: as folhas acumulam-se, espalham-se pelo chão ou dividem espaço na
estante com outros tantos objetos empoeirados, esquecidos. Vez ou outra alguns
olhares curiosos passeiam por ali.
Enquanto
tantas pressões tentam nos diminuir, temos o nosso canto: o ponto onde emergem
encontros das mais diversas (des)ordens.
Cantamos alto, rimos, discutimos, compartilhamos. As conversas
espontâneas, aleatórias ditam a ordem da sala. Somos afetados e afetamos o
espaço e os outros com a nossa presença e com aquilo que por vezes se desprende
de nós. Palavras, gestos, sentimentos e novos sentidos.
É curioso
como lugares tão familiares podem parecer estranhos quando nos propomos a
pensar no seu significado.
Meus olhos
fitando a sala, a câmera fotográfica capturando-a através das lentes. Enxergo
um misto de desordem e de bons encontros. Ao mesmo tempo, acredito que o espaço
dá ordem aos desencontros. Desencontros que surgem quando nos deparamos com
aquilo que cobram e que cobramos de nós mesmos, com aquilo que esperam e
esperamos de nós mesmos, com aquilo que de fato somos.
De repente, esses
desencontros internos ganham novas cores a partir de encontros concretos,
encontros que nos potencializam e dão energia nova para encarar os desafios que
a vida propõe.
Tudo acontece
ali. E é nesse ritmo que caminhamos: às ordens dos encontros.
Daniely
Aparecida Silva
"É curioso como lugares tão familiares podem parecer estranhos quando nos propomos a pensar no seu significado.". Lindos! A foto e o texto.
ResponderExcluirDani, que beleza de foto e texto... Esse lugar guarda tantas histórias, e ler sobre a sua, sobre sua relação com esse cantinho, me faz pensar o quanto o mesmo espaço proporciona múltiplas possibilidades e o quanto podem ser políticos, disruptivos. Depois me lembre de contar a história do quanto já lutamos para manter essa salinha.
ResponderExcluir- Babi.