Dos encontros e possibilidades

Bloco 6T, Campus Umuarama


No ir e vir de cada dia, as pessoas passam. Os olhares são desatentos, pouco veem além do chão que pisam, não percebem, não sentem, não se deixam afetar. Nos caminhos que passamos construímos encontros e desencontros, somos a união e a coexistências desses.

De mente leve, a passos lentos e um único olhar me permitiu ver: caixas, caixinhas, caixotes, mas mais do que isso, vi possibilidades. A cada ângulo era uma visão, era uma perspectiva, era um novo recorte. As linhas construíam formas, as formas se aglomeravam e se produziam, enquanto encontro a possibilidade de ser. Ser concreto, ser quadrado, ser caixinha, ser olhar, ser humano e poder enxergar o que tem do outro lado.

A estrutura se produz, se forma e nos faz refletir: seríamos limitados pelo que somos, pelo lugar que estamos ou temos uma forma de ir além? E naquele pequeno espaço, naquele breve momento e naquela caixinha percebi que nem tudo parece o que é. Nós, pequenas caixinhas, nos encontramos, nos transformamos, somos e nos produzimos e reproduzimos nosso ser dentro das possibilidades limitadas que encontramos, até mesmo nos desencontros.

E aqui encontro como ir além. Além dos muros e grades, da bolha que essa estrutura tão enrijecida constrói, dos limites ideológicos, das divergências sociais, dos moldes e das caixinhas. Aqui, com um outro olhar, indo para um universo nem tão longe do nosso, mesmo com todas as diferenças. Encontro então o próprio (des)encontro, em meio a confusões, a distâncias, a estranhamentos, a seres, a possibilidades. 


Caixas, caixotes, caixinhas
Linhas e entrelinhas
Ponto, ponto e vírgula, vírgula
Não!
Reticências no encontro
do ponto e da linha
Reticências no desencontro
do ponto e da linha.

Luiza Sanchez Ferreira


Comentários

  1. Luiza, que bonito! Que frases que formam nossos encontros sejam sempre pontuadas de reticências... Que sempre caiba mais. Que saibamos a importância da nossa caixinha e também de sair dela. A sensação inicial que tive com a foto foi de estar presa, e depois de ler seu texto, ao voltar à foto, consegui observar para além do concreto.

    - Babi

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