Sobe degrau
Um após o outro
Os pés seguindo as marcas
As delimitações
Sobe degrau
E na vida nos dizem que é assim
Sempre em frente e a subir
Um atrás do outro
Sobe degrau
De um em um
Seguindo a estrutura
Só indo sem pensar em vir e nem mesmo refletir
Sobe degrau
E não te contaram que pode ir de dois
Que não tem quantidade nem limitação
Que podemos ir ou mesmo não ir
Desce degrau
Sem vergonha ou medo
Pelos passos atentos
(Re)conhece-se caminhos
Desce degrau
Com riso no rosto
E olhar curioso
De um, de dois, de quantos quiser
Desce, mas não pelo degrau
Tem corrimão
E salto em distância
E o que é isso mesmo? Ah, a leveza!
Sobe e desce degrau
Se vendo e se descobrindo
Experienciando
Indo e vindo, vivendo
Indico que ao lerem
escutem “De Passagem”, do Cícero
Eu amo esse cantinho. Moro na mesma casa há 19 anos e isso quer dizer que estou no mesmo lugarzinho desde que nasci. Conheço cada cantinho do apartamento e quando criança minha diversão sempre foi descer e subir as escadas de cada andar, inventando histórias, (re)descobrindo pessoas e lugares. A cada dia eu era uma personagem, era um alguém completamente diferente do anterior. E quantas vezes eu queimei a perna por correr depressa demais os degraus e acabar caindo. Com o tempo fui crescendo e por algum motivo aquele lugar foi se tornando apenas mais uma escada onde eu subo e desço todos os dias, os dezesseis degraus apenas como Luiza e não mais como uma princesa que salvava a si mesma ou uma ninja. Fui aprendendo que escadas só se se sobem e descem, sem pensar muito sobre, sem nem mesmo refletir sobre onde estamos indo, que estar acima é muitas vezes melhor do que embaixo. Quase sempre que resolvo mudar esse subir e descer eu escuto “cuidado, você pode se machucar” e apenas penso que estarmos no mundo já é abrir uma grande ferida. Na vida fui aprendendo que as coisas são assim e pronto e por isso, algumas vezes, nem mesmo me dei a oportunidade de experienciar. Mas nesse ir e vir tão breve que tenho cotidianamente pude (re)encontrar não só a minha infância, mas o estar de uma maneira tão leve e despreocupada. Esse cantinho, bem mais que ir sem saber a que ou aonde, é lugarzinho que acolhe, que abraça e alegra.
Luiza Sanchez Ferreira
Luiza, é engraçado quando moramos no mesmo lugar desde sempre... Vamos criando histórias sobre esses lugares e temos a oportunidade de revisitar elas todos os dias... Adoro essa música do Cícero
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