
O que é a Universidade pra mim? É engraçado como é estar num espaço há tanto tempo e não parar para refletir sobre o que ele representa. Quando não paramos pra pensar em como é o lugar o qual fazemos parte, deixamos de lado também as mudanças que poderiam ser feitas nele para se tornar um espaço melhor, em outras palavras, nos acomodamos. Saí pela universidade aquele dia querendo romper com esse comodismo, buscando uma imagem que representasse o que eu estava sentindo: o incômodo. O incômodo pela UFU ser um espaço de potencialidades que poderia ser melhor aproveitado. É um bem público que deveria ser realmente de todos e para todos, ou seja, mais ligado à comunidade, com mais práticas voltadas pra ela. É um espaço que poderia valorizar mais os jovens que realmente querem trabalhar, que anseiam contribuir de alguma forma com o mundo lá fora e retornar para a comunidade o investimento feito a eles; vivências essas que muitas vezes são impossibilitadas por alguma burocracia. Como disse a Isabella, a UFU também é pra mim um espaço que, ao mesmo tempo, abre e fecha portas: proporciona muito conhecimento teórico aos alunos, mas, em contrapartida, não dá tantas oportunidades para que esse seja melhor explorado em práticas, o que faz com que, muitas vezes, tal conhecimento vai perdendo seu sentido. Por mais que seja um espaço aberto, às vezes sinto que existe um muro enorme que nos separa e nos distancia cada vez mais da realidade.É como se toda vez que estivéssemos com o olhar abaixado para ler um livro, perdêssemos um pouco a sensibilidade de olhar os detalhes ao nosso redor (como o céu azul lá em cima da fotografia). É como se a todo momento nós estivéssemos estudando sobre o mundo lá fora sem vivenciá-lo realmente, sem nos colocarmos nele. Para nós que estamos cursando Psicologia então, que falamos de pessoas a todo instante, acredito que falta a nós mais práticas em que possamos realmente lidar com as pessoas, para aprendermos além do que vemos nos livros, para trabalharmos nosso lado mais humano, nossa subjetividade.
Quando uso essa fotografia pra representar a UFU, quero expressar a angústia dos estudantes frente ao futuro que lhes aguarda após a graduação. Me coloco como uma estudante voltando seu olhar pra cima, ansiando sair "voando" para colocar em prática tudo aquilo que aprendera, mas ao mesmo tempo "presa" pelo medo, pois não se sente preparada para o que lhe espera. Como dissera meu pai uma vez: "a gente sai da UFU muito bem informado, mas não sai um profissional muito bem formado/preparado pra lidar com os obstáculos do mundo real."
Ana Carolina Borges
Oi Ana! Seu texto e sua fotografia me levam pra quando eu tava nos primeiros periodos da faculdade.. até o 7º período, quando não temos nenhuma prática. Me lembro de sentir esse incômodo e um desejo grande demais por conhecer, ter prática, explorar!! Essa é uma discussão muito importante pra universidade que queremos ter e que temos hoje!
ResponderExcluirAna, me lembrei também das minhas angústias, mas também do quanto elas me movimentaram e foram importantes. Penso que quando nos acomodamos, consideramos as coisas como elas nos são dadas, e geralmente elas nos são dadas com um caminho só a seguir, e fazer outros, enxergar outros, exige que nos sintamos incomodados e que incomodemos outros, da trabalho, mas nos faz agir, e nossas ações, nossas escolhas, nos constituem também.
ResponderExcluir- Babi