Land scape

Pátio da Psiquiatria do HC
     A primeira palavra que vem até minha mente quando olho pra essa fotografia é "landscape". O primeiro motivo não é pelo significado literal da palavra, que traduzida seria paisagem, mas pela junção da palavra "land" como terreno, e "scape" como fuga.
   Essa fotografia é do pátio da psiquiatria. Apesar de frequentar a UFU por tanto tempo, esse espaço eu descobri a poucas semanas e escolhi compartilhar esse lugar secreto com vocês.
      Esse lugar foi construído para ser uma escola, o que de fato a psiquiatria não deixa de ser. Uma escola que não é só para os estagiários e equipes mas também para os próprios usuários.
     Alí, nesse terreno, se sustenta um lugar pro sujeito em fuga, uma fuga da realidade, um sujeito que por vezes também foge dalí. São bastantes fugas, mas não para aí, além das fugas esse lugar propicia muitos  encontros, com novos modos de ser, com novas partes de si, com novas pessoas e serviços.
      Claro que nesse terreno não tem só flores, há também duras pedras e concretos que fazem a contenção daquele sujeito que por hora aparece tão aberto e tão distante.
       Acima de tudo, lá tem um lugar para experenciar e como já me disseram por lá, "um lugar onde posso ser quem eu sou", onde tem bons encontros e encontros nem tão bons.
        É nisso tudo, que ainda é tão pouco, que começo a apreender coisas como as múltiplas maneiras de existir e de estar com o outro, a importância do sintoma, a potência dos grupos, entre outras coisas mais. 
       Fico por aqui então e deixo vocês com essa imagem que me mobiliza tantos sentimentos, na esperança de ser também terreno fértil para suas disparar fantasias e memórias e curiosidade.



Camila Fernandes Troina

Comentários

  1. Nossa, esse espaço me lembra muita coisa!! Lembra especialmente uma visita que fiz na disciplina de psicopatologia geral I... Sua fotografia parece que mostra tanto, pra além dela mesmo!! Achei muito bonito a forma como você vê nesse espaço mais potência do que encontros nem tão bons, me faz pensar que pode ser assim também!

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  2. Camila, fiquei pensando no quanto a fuga proporciona encontros com o outro, seja esse outro outra pessoa, ou outro território, em quando fazemos o movimento de deixar o que somos, questionar quem somos e nos depararmos com tanta diferença em outros lugares.

    - Babi

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