Lugar de expressão



          Não precisei ir muito longe para encontrar minha fotografia. Não precisei pensar muito para saber que seria ela. É curioso como andamos por vários lugares da Universidade e olhamos vários objetos, construções, painéis, arte... Mas quem disse que olhar é garantia de conhecer? Nossos olhares, por mais que sejam constantes à determinadas coisas e lugares, podem ser bastante superficiais. Eu vejo esse muro pichado todos os dias, mas quem disse que eu já havia parado pra pensar no que ele representa? 
          E é engraçado como ele conseguiu exatamente sintetizar minha percepção sobre "O que é a Universidade pra mim?", ou pelo menos sobre o que ela deveria ser. 

                                                               Lugar de expressão. 

         Irônico dizer isso quando vejo não só colegas de turma, mas também professores completamente fechados para as opiniões que diferem das suas. Irônico e revoltante. Um lugar que deveria ser de livre expressão, de aprendizado, de vivências transformadoras e formação de profissionais... Talvez o muro pichado represente também um pouco dessa revolta pelo que deveria ser de fato e não é. Talvez por isso ele tenha sido tão marcante pra mim. Uma tentativa de expressar algo que não pode ser dito (afinal, a arte não seria também isso?). Uma tentativa de colocar cor e personalidade em um muro sem vida. Há quem diga que são rebeldes e estão destruindo o patrimônio público (mas o que é público já não nos destruiu? não sei dizer, talvez você saiba).

Só queria trazer um pouco de reflexão sobre as formas de expressão que vemos espalhadas por aí e que, na maioria das vezes, se não todas, querem dizer algo que está sufocado, invisível, aprisionado.

Fico feliz e aliviada que não seja invisível para todos.  
Há quem goste de parar no meio do caminho e prestar atenção nos muros pichados (ainda bem!)     

                                                              Tayná Porto

Comentários

  1. Tayná, você fez junção de duas intervenções artísticas: a fotografia e a intervenção com pichação... Achei seu texto e sua fotografia políticos e sensíveis ao mesmo tempo. Conseguir observar um muro pichado e ser afetado por ele se constitui enquanto ato político e proporciona fissuras importantes em dias que são tão enrijecidos.
    Espero que sempre haja "quem goste de parar no meio do caminho e prestar atenção nos muros pichados".

    - Babi

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