ali, no cantinho, há um quadradinho
onde as cores dançam entre si-e-consigo.
onde o verde das plantas toca nas mãos
e convida pra respirar fundo.
os pés tocam o chão provocando
risadinhas...
onde ‘sementes do que ainda virá’
afetam e são afetadas,
e a liberdade canta que só! anunciando
as conexões que acontecem tão levemente.
onde a brincadeira revela, desvela,
desnuda, um mundim interior que talvez outrora, em silêncio.
o olhar que via, mas não percebia,
clareou.
o local que me acolheu nos primeiros dias,
caíra no esquecimento, mas como pode?
Otto Lara Resende merece um xêrim por
ter sugerido olharmos pela primeira vez o que vemos todo dia, sem ver...
esse cantinho que tanto acolhe,
torna-se para mim referência de uma doçura que, eu cá nos meus lampejos,
gostaria que universalizasse para toda a universidade.
tem lugarzinho que abraça a gente
fazendo a gente querer abraçar todo mundo...
andei refletindo sobre
a Brinquedoteca ser mais que uma estrutura física, mais que um lugar para
criação e recreação. contudo, não gostaria de defini-la em outros modos, com
outros termos. neste ciclo de reflexões, lembrei de uma canção que olha além do comumente dado que se chama “Sonho de uma Flauta”, da trupe O Teatro Mágico. diz assim:
“Nem
toda palavra é, aquilo que o dicionário diz.
Avião
parece passarinho que não saber bater asa,
Passarinho
voando longe parece borboleta que fugiu de casa.
Borboleta
parece flor que o vento tirou para dançar,
Flor
parece a gente, pois somos semente do que ainda virá.
A
nuvem parece fumaça, tem gente que acha que ela é algodão,
Algodão
às vezes é doce, mas às vezes é doce não.
Tem
riso que parece choro, tem choro que é pura alegria,
Tem
dia que parece noite, e a tristeza parece poesia.
Sonho
parece verdade quando a gente esquece de acordar,
O
dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar.
Descobrir
o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais, querer saber demais.
Hum...
e o mundo é perfeito, e o mundo é perfeito, e o mundo é perfeito”.
sobre o trechinho citado de Otto,
publicado na “Folha de São Paulo” em 1992, aqui mais ó: “Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse
o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver,
a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que
você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos
é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como
um vazio”.
Lorranie

Seu texto me tocou de um jeito muito bom... de inspiração. Pensei na proximidade das coisas que escolhemos falar sobre: você, a brinquedoteca e eu, o pé de acerola dentro do cercado da brinquedoteca. Como você escreveu "tem lugarzinho que abraça a gente fazendo a gente querer abraçar todo mundo..."
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
Excluirque retorno incrível e delicado recebi de você!
Excluirgratidão que abraça forte pelas palavrinhas...
"tem textinho que abraça a gente fazendo a gente querer abraçar todo mundo..."
:)
um xêro!
gratidão gratidão! (removi e postei de novo para agradecer ainda mais.)
Lorranie, a melhor de todas as sensações que tive ao ver sua foto e ler seu texto, é que antes de saber que havia sido uma postagem sua, eu já sabia que era sua. Você conseguiu, ao meu ver, imprimir você, em toda sua particularidade, tanto na foto como na escrita. Na aula de hoje (09/05), em algum momento falamos do espaço da liberdade, aquele em que as câmeras de segurança da cidade não chegam, o lugar de expressão... Sua foto e seu texto me fizeram lembrar disso.
ResponderExcluir- Babi
céus, estou encantada!
Excluirpelo afeto sutil que pude sentir no seu olhar expresso em palavras.
gratidão pelo tempinho que tirou para viver comigo o textinho, gratidão pelo olhar que atentou em me observar de modo leve, gratidão pela memória que acolheu, e que reviveu na aula do dia 9.
abraço fortim!