Construções
abstratas
Tatiane Oliveira
O
que tem nesses concretos
Que
colocam face a face
A
criança e a mulher?
O
que tem nesses alicerces
Suporte
de andares diversos
Que
ainda suportam sonhos?
Não
estamos unidos,
Mas
se unidos formos
Então
será através dos sonhos!
Essas
salas são testemunhas
De
promessas para o futuro
Construídas
individualmente em conjunto...
E
se por vezes as dores
Tornam-se
difícil de suportar
Os
concretos me trazem à memória
A
criança sonhadora que fui
Que
doa toda sua força
Para
a mulher que constrói coletivamente uma história.
A
história de sua própria vida
Ingressei na UFU como
estudante de Psicologia no ano de 2014, mas meu contato com ela foi bem
anterior a essa data. Não sou alguém que guarda muitas lembranças de vida, mas as
poucas que consigo recordar são acertadamente marcantes.
A UFU era um sonho de
criança! Minha mãe trabalha na Universidade desde 1993, pouco antes de ficar
grávida. De certa forma, eu a acompanhei pelo campus Santa Mônica (ou “Engenharia”,
como os antigos da casa costumam chamar) e pelo Umuarama (também conhecido como
“Medicina”) enquanto ainda estava em seu ventre. Era um trabalho pesado. Minha
mãe trabalhava na área de serviços gerais, fazendo a limpeza dos blocos.
Posteriormente, quando eu
já tinha certa idade, talvez 4 ou 5 anos, eu a acompanhava no trabalho. Recordo-me
de uma das visitas que fiz com ela onde entramos em um bloco qualquer. Ela me
entregou um giz e um apagador. Apesar de não conseguir me lembrar sobre o que
de fato brinquei naquele dia, tenho a impressão de sentir o mesmo que aquela
pequena sonhadora sentiu: “este lugar é mágico”. E foi a partir daí que o
desejo de ingresso na UFU deve ter surgido.
No final da
adolescência, depois de tentativas, choros, após fazer o que eu não queria, finalmente
consegui ingressar no curso de Psicologia em 2014 pelo SiSU. E foi surreal
conquistar isso. Lembro-me de sentir uma epifania, a sensação de ter realizado
um sonho que parecia ser difícil demais. E a felicidade foi compartilhada
principalmente com meus pais, pessoas humildes, mas que de tudo fizeram para
que eu continuasse estudando.
A entrada na Universidade
foi o meu primeiro marco de entrada na vida adulta e, ao mesmo tempo, um marco
de quando tribulações das mais variadas ordens começaram a perpassar o meu
caminho. Este particularmente está sendo um semestre difícil de aguentar. Não
pelo curso em si, mas pelo fato de sentir-me só em um lugar onde eu imaginava
que deveria haver acolhimento. Ao mesmo tempo, outros quesitos da vida pessoal
parecem desandar e, talvez, combinam de desandar ao mesmo tempo.
Por vezes pensei em
trancar, tirar um tempo para respirar ou mesmo desistir. Mas quando paro e
contemplo a Universidade em si e, especialmente, quando olho para a foto que
fiz, lembro-me do meu sonho de criança. A foto, que buscou propositalmente
retratar a altura das paredes de concreto do 8C, também tem a intenção de representar
a grandiosidade da UFU a partir dos olhos de uma menina de 5 anos. E não, a
criança sonhadora que eu fui não merece que eu desista de um sonho que por
tanto tempo foi nosso.

Achei seu texto e sua imagem de uma sensibilidade muito grandes! Imagem que coloca a menina e a mulher que andam sempre juntas, mas que também me remete, mais do que à grandiosidade da UFU, sua concretude e impossibilidade pra tanta gente...
ResponderExcluirTatiane, concordo com a Ângela, achei muito sensível, e gostoso ter acompanhado em seu texto os diferentes jeitos em que você já esteve nessa universidade, o sonho que ela representava e a realidade que já representou e representa na sua vida. A foto me transmitia certa frieza, mas não mais depois de ler... Fiquei curiosa sobre o local em que ela foi tirada.
ResponderExcluir- Babi