Há um técnico administrativo, amigo meu e de minha mãe, que trabalha na reitoria da UFU e com quem costumo brincar sempre que o encontro: "Olha que a gente vai se aposentar juntos da UFU!! Você vai se aposentar quando eu me formar, hahaha!!" Brinco assim porque ele entrou na UFU na época em que eu nasci.
Como filha de funcionários técnicos, eu nasci na UFU e aqui eu cresci. Me afastei por um tempo mas logo voltei como discente da psicologia.
O que a UFU representa pra mim?? Certamente boa parte de quem eu sou.Vi a Universidade crescer, se transformar. Vi mudanças positivas e também negativas. Sempre quando vejo a UFU valorizando e privilegiando pessoas me alegro e me orgulho dessa universidade. E quando ocorre o contrário me entristeço. Infelizmente vejo e sinto isso com uma frequência que me incomoda profundamente, tanto no IP como na UFU em geral.
Um dos fatos que muito me entristeceu foi a destruição de grande parte de uma praça localizada no Campus Umuarama para fazer um estacionamento. Um estacionamento, que por sinal, não melhora em nada o problema do grande excesso de automóveis no campus. A praça já estava cercada por estacionamentos, e a Universidade achou por bem reduzir a praça ao máximo para fazer um outro.
Esse fato foi, pra mim, um atentado ambiental e humano. Essa praça era onde eu ia praticamente todos os dias ou contemplar a natureza, ou meditar, ou ler um texto ou conversar com amigos, ou tomar um lanche na paz daquele local. Todos os dias quando eu chegava na Universidade, eu fazia o percurso do ponto de ônibus até o 2C ou 8C passando em frente a biblioteca e depois, ao invés virar a esquerda e seguir passando em frente ao restaurante Xalé, eu seguia adiante para poder passar pela praça e contemplar a beleza daquele lugar. Isso acabou. Depois que eu vi as obras do estacionamento naquele lugar tão querido, sempre viro a esquerda na Av. Amazonas. Agora dói passar por lá. Só voltei pra fazer essa foto. Uma foto que mostra que a UFU está sendo engolida pelos carros, por uma lógica insana de sociedade da qual ela faz parte, mas que, ao meu ver, ela deveria fazer resistência. Essa não é uma foto do que eu não vejo, mas do que, me parece, quase ninguém vê.
As cidades são feitas para carros, não há dúvidas. Andar a pé em alguns lugares mais movimentados te dá a impressão que é o pedestre que está sendo inconveniente e atrapalhando o fluxo dos automóveis. Em lugares mais calmos com pouco comércio, não é possível andar na calçada pois onde tem uma garagem, a calçada é nivelada para o carro poder passar. É triste ver as cidades assim, mas é ainda mais triste ver uma Universidade, local de formação humana por excelência, destruindo praça pra construir estacionamento.
Laura Caetano de Almeida
Como filha de funcionários técnicos, eu nasci na UFU e aqui eu cresci. Me afastei por um tempo mas logo voltei como discente da psicologia.
O que a UFU representa pra mim?? Certamente boa parte de quem eu sou.Vi a Universidade crescer, se transformar. Vi mudanças positivas e também negativas. Sempre quando vejo a UFU valorizando e privilegiando pessoas me alegro e me orgulho dessa universidade. E quando ocorre o contrário me entristeço. Infelizmente vejo e sinto isso com uma frequência que me incomoda profundamente, tanto no IP como na UFU em geral.
Um dos fatos que muito me entristeceu foi a destruição de grande parte de uma praça localizada no Campus Umuarama para fazer um estacionamento. Um estacionamento, que por sinal, não melhora em nada o problema do grande excesso de automóveis no campus. A praça já estava cercada por estacionamentos, e a Universidade achou por bem reduzir a praça ao máximo para fazer um outro.
Esse fato foi, pra mim, um atentado ambiental e humano. Essa praça era onde eu ia praticamente todos os dias ou contemplar a natureza, ou meditar, ou ler um texto ou conversar com amigos, ou tomar um lanche na paz daquele local. Todos os dias quando eu chegava na Universidade, eu fazia o percurso do ponto de ônibus até o 2C ou 8C passando em frente a biblioteca e depois, ao invés virar a esquerda e seguir passando em frente ao restaurante Xalé, eu seguia adiante para poder passar pela praça e contemplar a beleza daquele lugar. Isso acabou. Depois que eu vi as obras do estacionamento naquele lugar tão querido, sempre viro a esquerda na Av. Amazonas. Agora dói passar por lá. Só voltei pra fazer essa foto. Uma foto que mostra que a UFU está sendo engolida pelos carros, por uma lógica insana de sociedade da qual ela faz parte, mas que, ao meu ver, ela deveria fazer resistência. Essa não é uma foto do que eu não vejo, mas do que, me parece, quase ninguém vê.
As cidades são feitas para carros, não há dúvidas. Andar a pé em alguns lugares mais movimentados te dá a impressão que é o pedestre que está sendo inconveniente e atrapalhando o fluxo dos automóveis. Em lugares mais calmos com pouco comércio, não é possível andar na calçada pois onde tem uma garagem, a calçada é nivelada para o carro poder passar. É triste ver as cidades assim, mas é ainda mais triste ver uma Universidade, local de formação humana por excelência, destruindo praça pra construir estacionamento.
Laura Caetano de Almeida

Laura, acho muito interessante o quanto a sua história de vida, cruzada com a dessa universidade, proporciona uma visão diferente desse espaço. Quando você fala, soa como o quintal de casa, um lugar em que se sente a vontade para brincar, para criar... Do quintal de casa inventamos lugares inimagináveis, que ultrapassam as fronteiras do possível e que ao sair da realidade também nos ajudam a compreendê-la. O dia a dia como universitária torna difícil que esse espaço sirva à criação, e você me lembra, quando escreve e diz da UFU, desse propósito esquecido da faculdade.
ResponderExcluir- Babi